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8 de novembro de 2012

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http://sonhocomestrelas.blogspot.com.br/


Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem
para exprimir a mentira e a verdade!


|Florbela Espanca - Diário do Último Ano|


|16/07/1930|






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22 de março de 2012

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A alma das coisas parece falar através da imobilidade das formas.



(Florbela Espanca - O Resto é Perfume)

(As Máscaras do Destino)


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21 de março de 2012

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As palavras são o muro de pedra e cal a fechar o horizonte infinito
das grandes ideias claras.


|Florbela Espanca - O Inventor|

|As Máscaras do Destino|


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16 de janeiro de 2012

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Versos! Versos! Sei lá o que são versos ...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.



(Florbela Espanca - O Livro D'ele)

(Versos)


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26 de outubro de 2011

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É da nossa miserável condição não poder deter nada que o tempo leva,
que o tempo destrói ...



(Flobela Espanca - Afinado Desconcerto)


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12 de setembro de 2011

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Eu adoro as árvores, as pedras, os bichos, as flores. Essas imobilidades frementes, essas pequeninas consciências, enternecem-me e deslumbram-me.

Não posso olhar para um céu cheio de estrelas que não sinta vontade de chorar de alegria, de humildade, de reconhecimento. Vejo rostos às pedras, rostos petrificados que comovem, atitudes quase humanas que me fazem cismar na glória de ser pedra, um dia ...



(Cartas de Florbela Espanca)

(Ao amigo Guido Battelli - 27-07-1930)


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A chuva, lá fora, trauteia baixinho a sua clara e doce cantiga de inverno,
a sua eterna melodia simples que embala e apazigua. Sinto-me só.
Quantas coisas lindas e tristes eu diria agora a alguém que não existe!



(Florbela Espanca - Diário do último ano)

(14/01/1930)


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16 de agosto de 2011

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A questão dinheiro não me prende duma maneira exagerada,
se bem que não me desagradasse ganhar algum para satisfazer os meus dois vícios:
flores e livros.



(Cartas de Florbela Espanca)

(Ao amigo Guido Battelli)



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8 de julho de 2011

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Amigos vivos que me morreram, amigos mortos cheios de vida,
quem sabe se, como eu, o luar os tenta nesta doce noite misericordiosa e pura!
Estendo as mãos ao luar branco, como a uma fogueira,
a recordação doutros beijos enche-me da nostalgia amarga dos que se sabem exilados para sempre.
Ergo os olhos ao céu: um jasmineiro florido, longe, longe!
As estrelas empalidecem deslumbradas, elas também, pela brancura milagrosa.



(Florbela Espanca)

(Carta da Herdade - Conto)

(Afinado Desconcerto)


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7 de abril de 2011

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Eu não quero dever-te nada,
a não ser um grande amor que eu teria com que pagar.



(Cartas de Florbela Espanca)
(Carta ao segundo marido António Guimarães)


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30 de março de 2011

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Continuo à espera do anjo que grita sem que até hoje o ouvisse gritar.



(Cartas de Florbela Espanca)
(25/8/1930)


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8 de março de 2011

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- Sabe? Fechei hoje meu livro de versos ...
E num sorriso radioso:

- Com um belo soneto!

(...)

- Como você é dolorosa! Dir-lhe-ia bem o nome de irmãzinha das dores.
Nos seus olhos parecem caber toda a tristeza deste mundo,
a sua boca é já um belo verso doloroso
e a sua voz é a própria dor em música ...

E repetiu o último terceto:

Ó pavoroso mal de ser sozinha!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro da minha!



(Florbela Espanca - À Margem dum Soneto)

(O Dominó Preto - Livro de Contos)


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... e, arrancando abruptamente um cacho de lilás, deu-mo a cheirar,
"é perfume! A vida é este cacho de lilás... Mais nada... O resto é perfume..."



(Florbela Espanca - O Resto é Perfume...)

(As Máscaras do Destino - Livro de Contos)

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17 de fevereiro de 2011

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Recebi hoje a grande surpresa anunciada.

'Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento.'


E eles lá estão, os ventos, pintados e bem pintados!



(Florbela Espanca - Carta a Guido Battelli)
(25/11/1930)

(Cartas de Florbela Espanca)

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22 de janeiro de 2011

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Só na alma é que a lama não se apaga;
aquela com que nos salpicam, sai com água limpa.


(Florbela Espanca - Diário do último ano)
(08/10/1930)


Acredito, na minha total ignorância, que seja a alma, fomadora do caráter de cada um.
Portanto, cabe aqui um outro trecho da própria Florbela em uma carta ao pai:


"Cada um é para o que nasce."


(Cartas de Florbela Espanca- 31/01/1930)


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10 de janeiro de 2011

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Tenho pela mentira um horror quase físico.
Sinto-a à distância e agora... neste mesmo momento...
sinto-a vaguear, asquerosa e suja, em volta da minha alma que vibra no orgulho de ser pura.
Se os outros não me conhecem, eu conheço-me, e tenho orgulho, um incomensurável orgulho de mim!


(Florbela Espanca - Diário do último ano)
(06/09/1930)



Sou assim e pronto, caceta!
A natureza me fez e me quer assim!
Por mais que às vezes eu sofra com isso,
eu amo ser assim, eu gosto do meu jeito de ser.


(Roberto Freire - Coiote)

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7 de janeiro de 2011

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Até hoje, todas as minhas cartas de amor
não são mais do que a realização
da minha necessidade de fazer frases.



(Florbela Espanca - Diário do último ano)

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1 de dezembro de 2010

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Gosto das belas coisas claras e sim­ples, das grandes ternuras perfeitas,
das doces compreensões silenciosas,
gosto de tudo, enfim, onde encontro um pouco de Beleza e de Verdade.

Porque há ainda no mundo, graças a Deus,
almas-astros onde eu gosto de me refletir,
almas de sinceri­dade e de pureza sobre as quais adoro debruçar a minha.



(Florbela Espanca - Cartas de Florbela Espanca)

(À Guido Battelli)
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22 de abril de 2010

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Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!


(Florbela Espanca- Escreve-me)

(Trocando olhares)

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