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7 de fevereiro de 2012

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Nest'alma tantas vezes ferida e traspassada tantas vezes, nem de agressões, nem de infamações, nem de preterições, nem de ingratidões, nem de perseguições, nem de traições, nem de expatriações perdura o menor rasto, a menor idéias de revindita. Deus me é testemunha de que tudo tenho perdoado. E, quando lhe digo, na oração dominical: 'Perdoai-nos, Senhor, as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores', julgo não lhe estar mentindo; e a consciência me atesta que, até onde alcance a imperfeição humana, tenho conseguido, e consigo todos os dias obedecer ao sublime mandamento. Assim me perdoem, também, os a quem tenho agravado, os com quem houver sido injusto, violento, intolerante, maligno, ou descaridoso.



(Rui Barbosa - Oração aos Moços)


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7 de abril de 2011

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Como definir o ideal?


O ideal não se define;
enxerga-se por clareiras que dão para o infinito:



(Rui Barbosa - Palavras à juventude)

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3 de fevereiro de 2011

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.O que não existe de se ver,
tem força completa demais,
em certas ocasiões

(Guimarães Rosa - Grande sertão: veredas)



Embora o realismo dos adágios teime no contrário,
tolerem−me o arrojo de afrontar uma vez a sabedoria dos provérbios.
Eu me abalanço a lhes dizer e redizer de não.
Não é certo, como corre mundo, ou, pelo menos, muitas e muitíssimas vezes, não é verdade,
como se espalha fama, que “longe da vista, longe do coração”.
O gênio dos anexins, aí, vai longe de andar certo.
Esse prolóquio tem mais malícia que ciência, mais epigrama que justiça,
mais engenho que filosofia.
Vezes sem conto, quando se está mais fora da vista dos olhos, então (e por isso mesmo)
é que mais à vista do coração estamos;
não só bem à sua vista, senão bem dentro nele.

(...) não: o coração não é tão frívolo, tão exterior, tão carnal quanto se cuida.
Há, nele, mais que um assombro fisiológico: um prodígio moral.
É o órgão da fé, o órgãoda esperança, o órgão do ideal.
Vê, por isso, com os olhos d’alma, o que não vêem os do corpo.
Vê ao longe, vê em ausência, vê no invisível, e até no infinito vê.



(Rui Barbosa - Oração aos moços)

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