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24 de maio de 2013

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- Meia hora, uma hora antes de você chegar você já atrasou, já está demorando. 
Você subverte o tempo.



|Pedro Nava - O Círio Perfeito|






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16 de abril de 2012

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(...)

Uma felicidade nos invadiu total e nirvânica. Nem conversávamos.
Simplesmente olhávamos a lua e sentíamos o vento e seu lamento.
Era como se vagas invisíveis e imensas se entrechocassem
e se batessem num alto de céu que parecia desmoronar e ondear.


|Pedro Nava - Beira-mar|


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29 de fevereiro de 2012

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... descobri apavorado e encantado que eu era um indivíduo autônomo destinado a viver minha própria vida e a encarar desde aquele comboio serrabaixo - a solidão que todos têm de enfrentar um dia. Assumi, ai! de mim, a minha ...



(Pedro Nava - Chão de Ferro)



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17 de dezembro de 2011

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O amor comporta uma carga de ódio que nos momentos de ciúme quer explodir,
fazendo mal, triturando, mordendo, matando e despedaçando
e destruindo cada fragmento, como se de cada um, como dum oceano,
fosse sair, renascendo, o seu demônio anadiomênico.


(Pedro Nava - O Círio Perfeito)


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é preciso salvar
apenas o eterno
das coisas.

o restante,
são máscaras.


(Cecília Meireles)


... tirava a máscara e demonstrava que somos o que sempre fomos
e que seremos sempre o que somos.


(Pedro Nava - O Círio Perfeito)


PS: Cecília Meireles, sem fonte. Recebido no orkut.


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4 de novembro de 2011

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Há sentimentos que acabam mortos pela sua própria intensidade
como fogo que passa depressa - quanto mais consumidora foi sua chama.
Não percebi no momento, no preciso momento a morte do molusco
pois a concha nacarada ficou esplendendo em todas as cores da vida
e ainda esplende da gloriosa lembrança.


(Pedro Nava - Beira-mar)

(Memórias 4)


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28 de outubro de 2011

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Paro, verifico a porta bem fechada pensando nos ladrões.
Depois dou de ombros - piores os que já entraram, que habitam em mim.


(Pedro Nava - Galo das Trevas)

(Memórias 5)


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20 de setembro de 2011

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Para a moça que se abre em flor, Rê-passando Delicadezas e Cintilando luz:

Renata Fagundes



Ria para tudo, todos, ria para a vida. Primaveril.

Entrava como um raio de sol, cheia de ouro e guisos no riso.





(Pedro Nava - Baú de Ossos)



Foto: Renata Fagundes

Blogs: Rê-passando Delicadezas

Cítrico Cintilante



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15 de setembro de 2011

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Manuel Bandeira, que era amigo do rei, ia-se embora pra Pasárgada.
Ai! de mim, sem rei amigo nem amigo rei,
que quando caio no fundo da fossa, quando entro no deserto e sou despedaçado pelas bestas da desolação, quando fico triste, triste ('... Mas triste de não ter jeito...') ,
só quero reencontrar o menino que já fui.



(Pedro Nava - Baú de Ossos)


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25 de agosto de 2011

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Todos os retratos têm sempre alguma coisa além dos traços dos retratados,
uma relação mágica e profunda com eles.


(Pedro Nava - Galo das Trevas)

(Memórias 5)


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Os amigos são diferentes e cada um comporta amizade diferente (não falo em maior ou menor), conversas diferentes.

Quando se vão deixam lembranças, pilhérias, confidências, recordações em comum apenas pertencentes a mim e a um por um deles que deixam em nossa lembrança pensamentos que vão ser idos e vividos, insusceptíveis de ressurreição, zonas de alma devorante desertas, salgadas, terra de ninguém.

Eles vêm, se rendem, se substituem, se vão ...



(Pedro Nava - Galo das Trevas)

(Memórias 5)


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12 de fevereiro de 2011


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Cheiro de moringa nova, gosto de sua água,
apito de fábrica cortando as madrugadas irremediáveis.
Perfume de sumo de laranja no frio ácido das noites de junho.
Escalas de piano ouvidas ao sol desolado das ruas desertas.
Umas imagens puxam as outras e cada sucesso entregue assim
devolve tempo e espaço comprimidos e expande, em quem evoca essas dimensões,
revivescências povoadas do esquecimento pronto para renascer.
Porque esquecer é fenômeno ativo e intencional -
esquecer é capítulo da memória (assim como que o seu tombo)
e não sua função antagônica.
Na recordação voluntária não podemos forçar a mecânica com que as lembranças nos são dosadas.
Os fatos sumidos nos repentes, em vez de todos em cadeia, voltam de um em um.

(...)

Às vezes não adianta violentar e querer lembrar. Não vem.
A associação de idéias parece livre, solta,
mas há uma coação que a compele e que também nos defende.

(...)

Há assim uma memória involuntária que é total e simultânea.
Para recuperar o que ela dá, basta ter passado, sentindo a vida;
basta ter, como dizia Machado, "padecido no tempo".
A recordação provocada é antes gradual, construída,
pode vir na sua verdade ou falsificada pelas substituições cominadas, pela nossa censura.



(Pedro Nava - Baú de Ossos)

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