Pois é nos desvios que se encontram as maiores surpresas. |Manoel de Barros - O Livro das Ignorãça|
- Pois a ti me traziam todos os meus desvios. |Hermann Hesse - Andares- Antologia Poética|
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8 de novembro de 2012
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Me procurei a vida inteira e não me achei - pelo que fui salvo.
|Manoel de Barros - O livro das Ignorãça|
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14 de agosto de 2012
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Me explica por que um olhar de piedade
cravado na condição humana
não brilha mais que um anúncio luminoso?
|Manoel de Barros - Poemas Concebidos Sem Pecados|
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10 de agosto de 2012
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O menino tinha no olhar um silêncio de chão e na sua voz uma candura de Fontes.
|Manoel de Barros - Menino do Mato|
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4 de julho de 2012
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Deus disse: Vou ajeitar a você um dom: Vou pertencer você para uma árvore. E pertenceu-me Escuto o perfume dos rios. Sei que a voz das águas tem sotaque azul. Sei botar cílio nos silêncios. Para encontrar azul eu uso pássaros. Só não desejo cair em sensatez ...
|Manoel de Barros - Para encontrar azul eu uso pássaros|
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26 de junho de 2012
Nuvens me cruzam de arribação. Tenho uma dor de concha extraviada. Uma dor de pedaços que não voltam. Eu sou muitas pessoas destroçadas.
|Manoel de Barros - O Livro das Ignorãça|
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17 de junho de 2012
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Eu gosto do absurdo divino das imagens.
|Manoel de Barros - Menino do Mato|
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11 de junho de 2012
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Não quero a boa razão das coisas. Quero o feitiço das palavras.
|Manoel de Barros - Para encontrar azul eu uso pássaros|
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16 de abril de 2012
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As palavras mais faceiras gostam de inventar travessuras. Uma delas propôs que ficássemos de horizonte para os pássaros. E os pássaros voariam sobre nosso azul.
|Manoel de Barros| |Memórias Inventadas - A Terceira Infância|
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13 de março de 2012
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Uma certa cor torta espera abril.
(Manoel de Barros - O Guardador de Águas)
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18 de janeiro de 2012
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Palavras Gosto de brincar com elas. Tenho preguiça de ser sério.
(Manoel de Barros - O Livro de Bernardo)
(Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)
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Tenho candor
por bobagens.
Quando eu crescer eu vou ficar criança.
(Manoel de Barros - O Livro de Bernardo)
(Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)
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4 de janeiro de 2012
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Aprendi com os passarinhos a liberdade.
Eles dominam o mais leve sem precisar ter motor nas costas.
E são livres para pousar em qualquer tempo nos lírios ou nas pedras
- sem se machucarem.
E aprendi com eles ser disponível para sonhar.
(Manoel de Barros - Fontes)
(Memórias Inventadas - A Terceira Infância)
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Teve a semente que atravessar panos podres, criames de insetos, couros, gravetos, pedras, ossarais de peixes, cacos de vidro etc - antes de inrromper.
Anos de estudo
e pesquisa:
Era no amanhecer
Que as formigas escolhiam seus vestidos.
(Manoel de Barros - Matéria de Poesia)
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16 de agosto de 2011
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No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal: Meus filhos, o dia já envelheceu,* entrem pra dentro.
*Aí a nossa mãe deu entidade pessoal ao dia. Ela deu seu ser ao dia. E ele envelheceu como um homem envelhece. Talvez fosse a maneira que a mãe encontrou para aumentar as pessoas daquele lugar que era lacuna de gente.
(Manoel de Barros - Livro Sobre Nada)
(A Arte de infantilizar formigas)
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24 de julho de 2011
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... descobri naquele lugar a palavra abandono.
A palavra funcionava dentro e fora das pessoas.