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23 de maio de 2013

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Pois é nos desvios que se encontram as maiores surpresas.

|Manoel de Barros - O Livro das Ignorãça|


- Pois a ti me traziam todos os meus desvios.


|Hermann Hesse - Andares- Antologia Poética|







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8 de novembro de 2012

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http://sonhocomestrelas.blogspot.com.br/

Me procurei a vida inteira e não me achei - pelo que fui salvo. 


|Manoel de Barros - O livro das Ignorãça| 







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14 de agosto de 2012

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Me explica por que um olhar de piedade
cravado na condição humana
não brilha mais que um anúncio luminoso?



|Manoel de Barros - Poemas Concebidos Sem Pecados|




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10 de agosto de 2012

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O menino tinha no olhar um silêncio de chão
e na sua voz uma candura de Fontes.


|Manoel de Barros - Menino do Mato|












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4 de julho de 2012

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Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez ...



|Manoel de Barros - Para encontrar azul eu uso pássaros|







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26 de junho de 2012






Nuvens me cruzam de arribação.
Tenho uma dor de concha extraviada.
Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas.



|Manoel de Barros - O Livro das Ignorãça|






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17 de junho de 2012

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Eu gosto do absurdo divino das imagens.


|Manoel de Barros - Menino do Mato|






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11 de junho de 2012

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Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.



|Manoel de Barros - Para encontrar azul eu uso pássaros|





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16 de abril de 2012

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As palavras mais faceiras gostam de inventar travessuras.
Uma delas propôs que ficássemos de horizonte para os pássaros.
E os pássaros voariam sobre nosso azul.



|Manoel de Barros|
|Memórias Inventadas - A Terceira Infância|


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13 de março de 2012

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Uma certa cor torta espera abril.


(Manoel de Barros - O Guardador de Águas)


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18 de janeiro de 2012

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Palavras
Gosto de brincar com elas.
Tenho preguiça de ser sério.



(Manoel de Barros - O Livro de Bernardo)

(Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)



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Tenho candor
por bobagens.
Quando eu crescer eu vou ficar criança.


(Manoel de Barros - O Livro de Bernardo)

(Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo)


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4 de janeiro de 2012

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Aprendi com os passarinhos a liberdade.
Eles dominam o mais leve sem precisar ter motor nas costas.
E são livres para pousar em qualquer tempo nos lírios ou nas pedras
- sem se machucarem.
E aprendi com eles ser disponível para sonhar.


(Manoel de Barros - Fontes)

(Memórias Inventadas - A Terceira Infância)


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Teve a semente que atravessar panos podres,
criames de insetos, couros, gravetos, pedras, ossarais de peixes,
cacos de vidro etc - antes de inrromper.


(Manoel de Barros - Nascimento da palavra)

(O Guardador de Águas)


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25 de setembro de 2011

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Lá fora
a cidade no avesso purgava
O AZUL



(Manoel de Barros - Matéria de Poesia)


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6 de setembro de 2011

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A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso.



(Manoel de Barros - Seis ou treze coisas que eu aprendi sozinho)

(O Guardador de Águas)




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Escrever nem uma coisa
Nem outra
A fim de dizer todas
Ou, pelo meno, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar
Tanto quanto escurecer acende o vagalumes.




(Manoel de Barros)

(Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada)

(O guardador de águas)


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23 de agosto de 2011

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A DESCOBERTA


Anos de estudo
e pesquisa:
Era no amanhecer
Que as formigas escolhiam seus vestidos.



(Manoel de Barros - Matéria de Poesia)


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16 de agosto de 2011

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No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal:
Meus filhos, o dia já envelheceu,* entrem pra dentro.



*Aí a nossa mãe deu entidade pessoal ao dia. Ela deu seu ser ao dia.
E ele envelheceu como um homem envelhece.
Talvez fosse a maneira que a mãe encontrou para aumentar as pessoas daquele lugar que era lacuna de gente.



(Manoel de Barros - Livro Sobre Nada)

(A Arte de infantilizar formigas)



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24 de julho de 2011

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... descobri naquele lugar a palavra abandono.
A palavra funcionava dentro e fora das pessoas.


(Manoel de Barros - Abandono)

(Memórias Inventadas - A Segunda Infância)


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