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19 de janeiro de 2011

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Desde muito novo que sentia um irresistível apelo em nomear tudo o que existia
dentro e fora de si.
Escrevia sem parar, em verso e em prosa, juntando as palavras em todas as suas combinações,
tentando conferir-lhes novas significações e estabelecer novas harmonias;
cortando e recortando sempre com afinco, na esperança de ao peso do mundo e da vida,
contrapor a leveza dos textos que escrevia e em que misturava sabiamente
uma melancolia profunda e um humor desregrado.
Um dia, finalmente, deixou de escrever, e passou o resto dos seus dias em silêncio,
com um sorriso a flutuar-lhe no rosto.



(Luís Ene - O peso da leveza)

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12 de outubro de 2010

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Desde criança que o ato de voar exercia sobre ele uma extraórdinária atração.
Passava horas sem fim a observar o voo das aves,
das borboletas e de todas as coisas com que o vento brinca.
Também queria voar assim, pelos seus próprios meios,
embora se questionasse muitas vezes
se faria diferença a forma como voasse.
Mas a verdade é que nenhum argumento,
por melhor que fosse, o convencia,
e a vontade de voar não desaparecia.
Um dia, cansado de tanto discutir consigo mesmo,
sentou-se com os olhos postos no céu e voou para longe,
para muito longe de si.



(Luís Ene - O peso da leveza)

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